domingo, 12 de setembro de 2010

A tirania do qualquer um

     Hoje qualquer um com um computador e um programa adequado pode editar seus próprios livros. Ou seu próprio jornal ou sua própria revista. Qualquer um pode fazer  o seu próprio CD em casa. Não depende mais de nenhuma estrutura alheia - grandes impressoras, grandes estúdios ou grandes espaços- para produzir o que quiser. Mas essa nova liberdade tem a sua contrapartida tétrica: assim como qualquer um pode dispensar a indústria literária para publicar seu romancezinho ou a indústria musical para gravar a banda das crianças, qualquer um pode ter nas mãos a capacidade de destruição de um exército sem precisar ter uma nação.
     A nação e o seu exército são as grandes estruturas tornadas desnecessárias pela sofisticação dos recursos para quem quer se expressar, no casa não com arte, mas com outros estouros. Coisas como o lançador de mísseis desmontável e portátil, a relativa facilidade em fabricar e trasnportar projéteis nucleares ou com cargas químicas mortais e, claro, um computador com um programa adequado aumentaram o poder do qualquer um e o seu raio de estragos possíveis. Assim, além do indivíduo que é seu próprio editor e sua própria gravadora e - com todos os programas de computador disponíveis - seu próprio arquiteto, contador ou conselheiro astral, temos o indivíduo que é a sua própria força armada pronta para a guerra, ou pelo menos para começar uma.
     Nunca o qualquer um teve tanto poder. Ele já atuou no passado, e influiu muito na História, mas não tinha os meios que tem agora. Era o anarquista com sua bomba de pavio, o assassino no meio da multidão com sua pistola, o anônimo cujo o martírio ou liderança espontânea começava uma revolta ou um massacre. Mas a possibilidade de espalhar o grande terror era exclusividade das nações e dos exércitos, das grandes estruturas. Não era pra qualquer para um. A democratização da ciência e a banalização das técnicas de matar trouxeram o qualquer um para a sua eminência atual. Hoje o grande terror é ele. Vivemos sob a tirania da sua imprevisibilidade e da sua independência das grandes estruturas: cada um é uma nação de um só, com uma indústria de morte própria. Ele pode ser o passante com um colete de explosivos sob a roupa. Pode ser a moça ao nosso lado no metrô com o antrax na mochila. Pois o maior terror do qualquer um é que ele pode ser qualquer um.


Afrontar o diverso


      É inerente ao homem o olhar preconceituoso, a aversão por culturas que vão contra as suas, devido a um processo histórico. Sendo assim, estamos dispostos a nos preservar desse olhar, aversão, afim de, respeitar as diversas maneiras de se vê o mesmo quadro. Entretanto, o que se percebe é o pragmatismo da ignorância devido a fatores externos de uma sociedade que só “aceita o aceitável”, imposta por idéias capitalistas e esquece de que a cultura comum está na essência da nossa espécie.
      A idéia desse olhar e aversão pode ser vista de várias maneiras pela sociedade, entre elas, a forma de como se vestirem dentro da mesma, a maneira como heterossexuais vêem os homossexuais, o estilo de vida dos católicos em relação aos protestantes, a contracultura nascente, enfim, estamos aptos a nos conhecer e inovar maneiras de nos respeitar da melhor forma possível pelo menos.
      Isso sinaliza a problemática em conviver com as diferenças, pois, essa necessidade precisa ser transparente com atitudes individuais onde o conhecimento sobre a pluralidade cultural e individual promoverá mudanças na forma de ver a si próprio para com os outros. Para tanto, é preciso superar os padrões cristalizados impostos pela sociedade moderna capitalista, para que, enfim, possamos da um passo para a humanidade.
       Portanto, não existe democracia plena numa sociedade em que não haja a valorização social da diversidade. Sabendo disso é fácil entender como progredir, porém o mesmo não se conclui senão afrontar o diverso, a pluralidade das culturas.